O sucesso de Meu Malvado Favorito surpreendeu muitos críticos de cinema, já que a trama gira em torno de um vilão que rouba a lua. Mas a astúcia do roteiro está justamente em colocar o personagem principal, Gru, em uma posição conflituosa com sua própria maldade. É interessante observar como, apesar de suas ações, torcemos por ele.

Isso é algo muito comum na cultura pop. Bons vilões se tornam tão amados pelos fãs que muitas vezes roubam a cena do próprio protagonista. Uma prova disso é o Coringa, de Batman, ou Darth Vader, de Star Wars. Esses personagens são admirados pela sua astúcia, sagacidade, carisma e pelos seus ótimos diálogos.

Por que gostamos dos vilões? Talvez seja porque eles não têm medo de quebrar as regras, de serem impulsivos, de tomarem decisões polêmicas e antiéticas. Ao mesmo tempo, os roteiristas sabem a importância de humanizá-los, traçando suas motivações e burilando seus conflitos internos.

Em Meu Malvado Favorito, presenciamos isso de forma exemplar. Gru é apresentado como um tipo grosseiro e mal-humorado, mas aos poucos o vemos se descobrir como ser humano e modificar sua atitude. O mesmo ocorre com o trio de órfãs que se tornam suas filhas adotivas.

Além disso, a animação ainda acerta em cheio ao mesclar o estilo visual cartunesco com muitas referências à cultura pop dos anos 80. A trilha sonora fica na nossa cabeça e os personagens são muito bem desenvolvidos.

Meu Malvado Favorito, portanto, é um excelente case de sucesso de como um vilão pode ser o grande diferencial em uma trama. Personagens assim tornam as histórias mais memoráveis, intrigantes e divertidas. E nós, espectadores, sempre saímos torcendo para que eles voltem em outras aventuras.